Prefácio | 20Ago2011 17:12:36

Tal como os homens não se medem aos palmos, os livros também não se medem pelo número de páginas ou pelo seu aspecto bonitinho e ar de quem sofreu muita cosmética até chegar a uma banca de venda. Os livros não são para serem acariciados ou louvados. Os livros são para ser explorados e revirados.
Eu, pessoalmente, gosto deles rudes e fininhos, onde a condensação revela o seu

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Crianças da minha rua | 20Ago2011 16:54:17

Crianças da minha rua

Que brincam com as estrelas

Esfomeadas de amor

Nesta minha redondeza

Relembrei a minha infância

A uma criança da rua

Que as estrelas com que elas brincam

Foram minhas, hoje são tuas

Com elas não há maldade

Frio e fome também

Penso que a riqueza no mundo

São elas que a tem

Elas em mim já brilharam

Brilharam em minha infância

Elas me abandonaram

Ao deixar de ser criança



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Quadras soltas | 18Ago2011 14:36:52

No consigo compreender

No consigo explicar

Desta minha existncia

Do passeio que vim dar.

 

O porqu do egoismo?

O porqu da malvadez?

O homem vai construindo

O mundo da estupidez.

 

Andas cheio de grandeza

Mas eu grandeza no tenho

No te julgues mais do que eu

Porque essa pobreza no tenho.



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A forma do meu olhar | 17Ago2011 16:08:07

 

A forma do meu olhar

 

Sou camponês, mas nascido e criado em barcelos, terra que me viu nascer e criar. Por isso resolvi transpor para o papel algo que me vai na alma em relação à minha cidade, por isso o meu muito boa noite aos responsáveis da crítica que passo a fazer:

Meus amigos, então vocês não veem que a capital europeia das boutiques que proliferam na rua D. António Barroso, mais conhecida em geral como Rua Direita, e assim como, o Largo da Porta Nova, conhecido também como o Largo da Calçada, que esses locais como sendo os mais lindos da cidade, estão contaminados, sem vida e sem luz. Pois meus amigos, como barcelence deixo-vos aqui a minha medicação:

Transformar as boutiques desses locais em tabernas amontoadas de pintores, poetas e fadistas, assim como todos aqueles marginalizados, humildes... e raios de luz nesses locais toda a madrugada. Só assim deixará de ser uma cidade melancólica e moribunda.



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A noite de Natal | 17Ago2011 16:06:12

 

-So quase dez horas e o teu paizinho ainda no chegou do trabalho para se pr a mesa.

Valha-me Deus, possivelmente talvz esteja a agasalhar-se da chuva, para a, num canto qualquer.

- mezinha, ela no est pra parar...

-Pois no meu filho, tu no queresir ver se o vs?

-Vou sim, j estava a pensar nisso.

-Olha, mas antes, vai-me buscar um braadinho de lenhaao quintal, para se pr a secar lareira.-Pronto mezinha, aqui tem a lenhinha,at j, at jmeu filho, levas o capote contigo? –Levo sim, e a lanterna tambm, porque no h luz nenhuma na rua.

-Enfim, ainda h quem diga que no h aflitos?

Por mim, nasci pra ser escrava do meu relgio.

Parece-me que estou a ouvir o meu cozinho a uivar! Se for, so os meus desgraados a chegar?

So eles, so. meu Deus, devem vir todos molhadinhos, vou-lhes abrir a porta, no a correr, porque infelizmente, as pernas j no me deixam.

-Boa noite Luzinha. – meu querido, a noite no vai nada famosa. Tirem essa roupinha fora porque isso uma doena e vistam esta, enquanto vou pr a mesa.

-Mezinha,chegaram aqui os irmoshumildes c da terra! –Manda-os entrar, a nossa mesa pobrezinha, mas sempre chegou pra essa gentinha.

Agora vai um cafezinho, no vai? – Pois claro, tenho tambm uns biscoitinhos, que ontem me ofereceram, para acompanhar.

Vou deixar a cafeteira lareira, para estr sempre quentinho.

Lembran-se, deste capote velhinho? –Era o, do seu paizinho, muitas, muitas vezes, o chegamos a ver com ele pelas costas a fazer versos no pinheiral, mas achamos, que o povo c da terra no chegaram a ver as lindas mos que ele tinha!

-Mas ser, possvel isso?

-Achamos que sim, luzinha.

Podemos c voltar para os Reis?

-Ento porque no, as portas esto sempre abertas, a qualquer hora.

Mas no me digam, que os vm c cantar!

-Sim, sim, e com os versos, que o seu paizinho nos ofereceu.

-No querem lever convosco a lanterna, sabem que faz muito escuro na rua! –No, no, luzinha, conhecemos bem o caminho.

-At prxima, vo l, com a graa de Deus nosso Senhor.



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+ Quadras soltas | 17Ago2011 16:03:32

 

Vivo no mundo aflito

Por ele no me dar a mo

Em qualquer cantoeu sinto

Um morteiro e um canho.

 

No sinto um palmo de terra

Pra eu poder semear

A fortuna que trago comigo

Para o mundo, transformar.

 

Ter amigos ter ouro.

Por isso muito bom

Porque s o z povinho

que vai para a priso.

 

Vivo no meio duma mascarada

Por este pas, sem fim

No tenho prazer nenhum

Em viver num mundo assim.

 

Neste mundo esquesito

Tudo nasce etudo morre

Eu pergunto se por tudo isto

Que h dio, e h fome.

 

Caminho na solido

Com o silncio a meu lado

A onde ele me diz

Que serei, poeta e desgraado.

 

As linhas das mos dos homens

No sevem s pra trabalhar

Infelizmente ao fim de uma vida

Tambm servem pra mendigar.



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Sementes | 17Ago2011 16:00:25

 

Aqui passou um velhinho

Caminhando pelas ruas e caminhos

Transportando seus espinhos

Por este país sem fim.

Vindo em seu auxilio um netinho

Dizendo-lhe... meu avozinho

Vou-lhe contar uma historia

Mas sinto meus labios secos, tão secos

Que nem consigo falar-lhe.

Somos o fruto duma árvore

Esquecida, ignorada

Por não levar a semente dourada

Como muitos que eu conheço

Que reluz só na fachada

Mas que no seu interior

São frutos ocos, tão ocos, tão ocos

Que jamais produzem nada.



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Imaginação | 17Ago2011 15:58:09

 

Quando fores a caminhar

Não te faças de estúpido

Imagina outro pensar

E não o pensar de bruto.

 

Mas pensa como quiseres

Eu agora penso assim

Se tu vieres acordar

Lembra-te sempre de mim

 

Quando era estupido e bruto

Lembro-me de ser feliz

Hoje sei que não sou

Prefiro ser infeliz.

 

Uma criança ensinou-me

Este meu novo pensar

Atreve-te também a isso

Se não o mundo vais ganhar.

 

Não sei se estarás disposto

A fazeres como eu fiz.

Só que tu com meu pensar

No mundo és infeliz.

 

Hoje sei imaginar

Hoje fiz este poema

Hoje fiz neste papel

Com sangue da minha pena.



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Um Poema | 17Ago2011 15:55:19

 

Eu estava furioso

Quando me viste à janela

Por não ter visto as crianças

A brincar no mundo delas.

 

Era um ser silencioso

Meus olhos, olhando a rua

Perante a minha vidraça

A sentir cair a chuva.

 

A sentir cair a chuva

A sentir também o vento

Que à porta me batia

A cantar constantemente.

 

Eu imaginava o sol

Mas sim, um sol a brilhar

Pra crianças que dormiam

Dispersas cheias de frio.

 

E quando a noite chegou

A trevoada rompeu

Quase toda a madrugada,

Ao som da festa escrevi

Estes versos que senti

À simples luz de uma vela.



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Desilusão | 17Ago2011 15:50:53

 

Vendo a chuva a cair

Vendo também a ventar

Logo me sinto tão triste

Ao sentir esses aflitos

Em busca de se agasalhar

Num caminho ou num buraco

Numa rua ou numa esquina

Pensando saborearem

A asa de uma galinha.

Por isso sinto-me danado

Por escrever tudo isto

E ao saber que tudo o que faço

É tão péssimo e tão fraco

Só que o mundo para mim

O que julgo como tudo isso

Por eu nascer sem juízo

Só consigo escrever

Pra esses contentores do lixo.



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Encontro de Surrealistas | 20Fev2010 15:30:00

No dia 18 de Novembro do ano 2004 Carlos Américo, Justino Martins e Fernando Afmach são recebidos em casa de Mário Cezariny.
 

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Diálogo | 18Fev2010 08:00:00

Alguém que não é ninguém,

O que lhe falta para ser?

Terá que voltar atrás

E pensar pensar pensar

Para que possa sentir

Uma flor a crescer.

                                             

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Ida ao Teatro | 17Fev2010 08:00:00

Lindo teatro fui ver

Indo para l a correr

Para escolher o melhor local

Para a pea melhor ver.

No silncio em palco entravam

Com lindas batinas pretas

O povo com respeito olhava

O espectculo comeava.

Levante-se o ru! Ru levantado.

Por voc c vir, j est condenado.

Vossa excelncia est a ser injusto.

Esteja calado…voc um estpido.

Levante-se o ru! Ru levantado.

a primeira vez que est a ser julgado?

Sou sim, Sr. Dr. Juiz.

Espere um pouco, vai passar umas frias

Ao meu hotel a Viana.

Levante-se o ru! Ru levantado.

Quantos anos tem? Ando na casa dos setenta.

Vossa excelncia tenha pena de mim

Sou um pobre reformado.

A pena que tenho por si,

mand-lo para Custoias,

Porque l bem tratado.

Levante-se o ru! Ru levantado.

Jura falar a verdade?

Juro sim, Sr. Dr. Juiz,

Um homem est a ser julgado por outro

Isso para mim no nada.

Voc est preso.

Se vossa excelncia me condena

Tem raciocnio lento.



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Cidade sagrada | 16Fev2010 08:00:00

Cresci na profundidade de uma gua lmpida e

Cristalina, entre as partculas de fragmentos inertes luminosos,

Que alimentam a movimentao dos bichos marinhos

Em toda a sua cidade permanentemente

Armados e vigilantes com os seus dentes cerrados.

Pelos mesmos terem vindo a ser ameaados

De represlias,

Atravs de numerosos telefonemas annimos,

Por uma fora especializada

De monstruosas raposas

Mortferas voadoras.

Em comunicado atravs da imprensa

Escrita e falada fazem saber que no temem

Represlias de espcie alguma,

Venham elas de onde vierem.

Que todos seus irmos da cidade sagrada esto

Preparados para lhes matarem a fome,

Seja ela de que tipo for.



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Solidão | 15Fev2010 08:00:00

Sinto o mundo a bombardear

Sinto clarões no ar

Sinto anjos a gritar

Sinto vendavais a arrastá-los.

Logo eu sinto uma amnistia

A transformar este mundo

Em paz, amor e alegria.

E o mundo jamais poderá ver

Esses anjos a gritar

As carroças a voar

Os comboios suspensos no ar

Os aviões a nadar

As formigas a fumar.

- E eu?

Eu, carregado de ouro e amor pra dar,

Já estava fatigado de gritar,

De gritar deste buraco,

Já sem esperança de ver o mundo

Se transformar para amar.

ia morrer no buraco esquecido

Com a fortuna que trazia comigo

Sem o mundo me deixar dar.

                                              

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Quadro ébrio | 14Fev2010 08:00:00

Relembro:

Quando acabava de fazer uma visita a um bosque

A fim de assistir a um festival de bailado, executado

Por minhocas voadoras.

Espontaneamente deparo-me com esse lindo Quadro

Ao fundo do meu horizonte, fazendo-se

Movimentar atravs dos prprios meios, em gritos

De gargalhadas, e com um grande sentido de humor,

Brotando jactos de luz que iluminava uma policia Furiosa

Atrs de uma quadrilha de ladres.

- Totalmente nus – que tinham acabado nesse

Preciso momento de perpetrarem um assalto

Aum Estabelecimento de inteligncia humana.

A sua pintura retratava quatro anjos corpulentos

Fumando charutos no cimo de uma catedral,

Servindo-lhes de proteco uma poderosa aranha

Com trs lampies fixos sua cabea, iluminando

Todo o seu redor.

Entretanto seguia a minha caminhada,

A p, perante uma noite j muitocerrada, cruza-se comigo

Um navio terrestre carregado de bichos

Todos Felizes e contentes que logo me levaram

Na Companhia de todos eles, a fim de me incorporar

Em toda a sua potencial festa.



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O menino vagabundo | 13Fev2010 08:00:00

Nascido e criado num bairro degradado

Onde imperava o mundo da droga,

Do lcool

E da prostituio.

Cedo se apercebeu, que a terra que o viu nascer,

Lhe causava bastantes nuseas,

O que lhe perturbava o seu bem-estar.

Ento, um dia o menino ps-se a pensarem imigrar

Para ir em busca da sua felicidade,

Para isso,

Sentiu-se na necessidade de construir um barco

Em que se fazia movimentar atravs de uma

Manivela.

Servindo-lhe, o mesmo,

Para lhe levar uma pequena biblioteca

Que o menino sempre gostou muito de leitura,

Assim como todos os seus apetrechos.

No dia seguinte, parou o seu barco

A fim de descansar num parque de estacionamento,

Foi ento que veio a ser solicitado por um casal

De pessoas ricas para ir trabalhar como criado para sua

Casa, indo ento o menino todo feliz e contente no

Seu barco atrs dos seus futuros patres.

Durante todo o seu percurso,

Todos os meninos saram rua

Com sorrisos e beijos desejando-lhe a sua

Felicidade.



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O magnata das fezes | 12Fev2010 07:50:00

Vem de uma famlia religiosamente fantica,

De grandes poderes de feitiarias,

Deixando-lhe como herana um belssimo palacete

Construdo com os seus utenslios da sua profisso

De bruxaria.

Ainda criana j revelava uma mortfera

Sensibilidade humana e uma inteligncia invejvel.

Dotado de uma cabea minscula e de um nariz

Com dois metros e meio de comprido, at parecia

Um nariz de ave de rapina.

A determinada altura, com suas potencialidades

Mentais, conseguiu transformar as suas fezes a

Brotar jactos de metal precioso,

O que lhe permitiu vir a ser hoje o detentor de das mais

Famosas joalharias de sanitas, construdas em ouro,

Que proliferam em todo este universo!



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O Fidalgo de Mandarim | 11Fev2010 07:50:00

O dignssimo fidalgo de mandarim uma pessoa

Muito admirada e respeitada tanto no meio social

Como intelectual.

A determinada altura resolveu ir passar as suas

Frias para uma das suas quintas que possui

Em mandarim de baixo.

Para isso fez-se deslocar num dos seus clebres

Cavalos de sete patas, todas em ouro macio.

Quando o dignssimo fidalgo l chegou, encontrou

A aldeia coberta de neve em pleno ms de Julho,

Assim como toda a sua populao descala e

Com uns simples farrapos velhos a cobrir-lhes os sexos.

Os cabelos, esses, j lhes serviam de agasalho

Por andarem com os mesmos de rasto.

O marreco, feitor da quinta, foi encontrado, pelo

Dignssimo fidalgo, em cima da chamin do seu

Palcio, sem tronco e semmembros.

O seu feitor, logo desceu muito aflito, com os olhos

Mergulhados em gua a ferver.

Comeando ento por lhe contar todo o seu sofrimento

Vivido no mesmo, durante a sua ausncia:

“Saiba vossa excelncia que o palcio foi

Assaltado numa dcada consecutiva.

Pois esses malvados despojaram-no das peas mais

Preciosas que ele continha.

Ao dcimo primeiro assalto voltaram c,

Levaram-me os membros;

Ao dcimo segundo assalto voltaram c:

Levaram-me o tronco.

Foi quando, a partir da, me refugiei em cima da

Chamin com medo de eles voltarem a fim de

Me levarem tambm a cabea!”.

O fidalgo, depois de ouvir o seu feitor desata

Em grande gritaria: “Estou desgraado, estou

Desgraado!”, vindo a desmaiar no cho.

O marreco, logo muito aflito com o estado

De sade do seu senhor, foi transport-lo no seu

Clebre cavalo de sete patas ao estabelecimento

Hospitalar, vindo ambos a sofrer um grande

Acidente de percurso, com uma composio

De comboio tripulado por baratas, que andavam

Em digresso pelo pas (tendo o marreco recuperado o

Seu tronco, assim como os seus membros, atravs

Do mesmo),

Ficando hospitalizados o dignssimo fidalgo

Assim Como o seu cavalo numa clnica privada

Nos Arredores, em estado que requer muitos cuidados.



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A noite misteriosa | 10Fev2010 07:50:00

Apareceu uma noite misteriosa onde se poderiam

Ver abundantes pedras preciosas,

Que inesperadamente saltavam para as mos

De crianas, vagabundos da rua.

Apareciam rvores que transportavam cabeas

De anjos que deslizavam em suas ptalas.

Apareciam carrinhos de mo carregados

Com orquestras de bichos em ouro, que desfilavam

Em cnticos, silenciosas.

Apareciam peixes de outros mundos

Que se cumprimentavam uns aos outros.

Apareciam vboras professoras a darem aulas

Aos seres da minha espcie.

Apareciam tapetes rolantes que levavam

Mensagens nocturnas para ambas as margens.

Apareciam barcos abarrotados de santos, vindos

De planetas estranhos que acabavam por se afundarem.

Apareciam mantos de cabeas de baratas brilhantes

Que faziam iluminar a noite.

Apareciam minhocas selvagens suspensas no ar,

A manterem a sua segurana para a terra.

Apareciam urnas voadoras transportando cadveres

Que pediam desculpa pelas suas ausncias.

Desapareceu a noite,

Com o cu coberto de pensamentos lcidos,

Irmanados pelas cabeas dos anjos

Que permaneciam em suas rvores,

superfcie das guas.



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Asfalto ardente | 09Fev2010 07:50:00

No asfalto ardente, em direco montanha, h

Uma cidade dentro de um tnel onde se vem

Bichos sentados mesa com os seus filhos mais

Novos ao colo, que se encontram de visita cidade.

Nas ruas, vem-se meninos a receberem aulas

De filosofia e psicologia.

No principal centro da cidade, vem-se bancos

Em arranha-cus, a prestarem servios de amor e sexo

s toneladas.

No recreio das aulas, vem-se crianas a brincar

Com bolas de diamante.

Nos estabelecimentos hospitalares, vem-se

Golfinhos a prestarem servio mdico aos seus

Utentes.

Nas ruas e avenidas, vem-se canoas terrestres

A servirem de transporte sua populao.

Pela noite fora, movem-se lampreias, na venda

De revistas e jornais.

Nas praias, vem-se peixes nadadores-salvadores,

Em vigilncia permanentemente aos banhistas.

Em cada esquina, h uma rola brava com um filho

A seu lado, a manter a segurana na cidade.

Nos jardins, vem-se poetas no cimo de rvores

Borracheiras, olhando um bando de passarinhos

Luminosos.

Num castelo, vem-se letrados e juzes, assistindo a

Um imenso formigueiro a devorar a cabea de um

Rei.



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A serpente megalómana | 08Fev2010 07:50:00

Um bando de guarda chuvas passou na cidade

Em brecha, transportando consigo trinta e sete

Gafanhotos comodamente instalados.

Curioso , que nesse preciso momento, encontrava-me

Eu no cimo de uma cereja olhando uma

Orquestra de caracis, que inesperadamente surgiu

Na cidade descala, percorrendo todos os seus

Cantos e recantos, a tocarem em seus lindos

Instrumentos.

Sobrevoando perante si, amontoados panfletos a

Festejar a sua chegada nem gigantesco carrossel,

A fim de assistir a um julgamento realizado no

Interior de uma carcaa de elefante.

O processo foi movido por duas formigas gmeas

A uma serpente, pela mesma ter vindo h dcadas

De anos a ocupar abusivamente o seu territrio

Constantemente embriagada, vindo-lhes a perturbar

O seu merecidssimo descanso.

Lida a sentena pelo dignssimo juiz benfeitor,

Ficaram provados todos os argumentos prestados

Pelas mesmas, vindo a serpente a ser condenada a

Servir de alimento para as formigas.



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Árvore rolante | 07Fev2010 07:50:00

Caminhava eu, no interior de uma rvore rolante,

Totalmente coberta de lampies, s fascas,

Que iluminava um bando de crocodilos que festejavam

Um aniversrio da sua existncia.

Quando inesperadamente sou ultrapassado por um

Simptico leopardo de duas patas, a uma velocidade

Que quase me parecia um ciclone, suspenso no ar,

Transportando consigo centenas de bruxas e

Feiticeiros, com dezenas de sacos abarrotados

De sexos, s suas cabeas

- Fruto de um assalto a um palcio de prostituio,

Nos arredores da cidade fixa.

Entretanto, seguia eu o meu percurso perante uma

Floresta sorridente, venho espontaneamente a ser

Sobrevoado por numerosos enxames de abelhas

Em busca dos intrusos ladres, a fim dos mesmos virem

A ser capturados.

No entanto, atravs de uma notcia da rdio, fui

Assistir a uma final de futebol entre as duas mais

Famosas equipas do universo,

Em que perante o meu acrrimo silencio,

Olho um dos treinadores aos gritos de trovo

Com uns gigantes binculos aos ziguezagues, coloridos,

Voltando para o banco dos suplentes, fazendo entrar

Um atleta com noventa e cinco centmetros

De altura, totalmente pelado, a fim de converter uma

Grande penalidade.

Correndo este para a bola a uma velocidade

De duzentos quilmetros hora, saltando-lhe a perna,

Indo esta colidir com o guarda-redes.

Tendo este, morte imediata.

Fazendo-se o jogador desaparecer misteriosamente

 

Com a perna ficando aquela multido de gente

Esttica em estado de inconscincia de bocas

Abertas para o ar.

 

 

 



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A noite invernal | 06Fev2010 07:40:00

Era uma noite invernal que instantaneamente

Se transformara de azul carregado de estrelas.

Lembro-me que dei por isso quando um co j

Velho e vadio me veio convidar para a rua.

A partir da, comecei por raios de mel

Que se faziam penetrar ferozmente nas partes superiores da

Minha espcie.

Eu, num relmpago passava a ser homem lcido e

Consciente comeando por sentir o mundo habitado

Por anjos que tropeavam nos metais mais

Preciosos que a minha frtil lucidez sentia.

Recordo que o denegrido silncio das ruas e dos

Cafs que pairava, cessava e jamais era recuperado.

Procurei festejar com os seres da minha espcie

Essa inesquecvel noite, entre os maravilhosos raios

De mel que no deixavam de cair.

De repente, toda a multido voou num relmpago

Atravs de foguetes que tinham sido mandados pelo

Barco da meia-noite que se encontrava no alto mar.

Quando o foguete me veio buscar, deixei-me ir

Com ele, suavemente. Quando l cheguei deparei

Com o redor do barco embelezado com lindas

Cidades, vilas e aldeias.

O nico arranha-cus l existente era um comboio

De quinhentos andares, sendo o mesmo habitado

Por poetas e pintores onde os peixes voadores lhes

Fornecem os materiais atravs dos seus satlites

Fabricados por eles, entre as ondas quando

As mesmas se fazem sentir.

Lembro-me que quando acabava de fazer a visita

Ao comboio, fui abordado e abraado por um

Homem que aparentava os seus noventa e tal anos

Que habitava no interior de uma rvore carregada

De todo o tipo de frutos, e que fumava um

Cachimbo com cerca de cinco metros

De comprimento, projectando toneladas de cores

Para o exterior, dizendo-me que as fabulosas cores

Que o mesmo deitava, asseguravam as comunicaes

Telefnicas para o barco, como para as restantes

Localidades do pas.



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As mulheres da cidade das estrelas | 05Fev2010 07:40:00

As mulheres da cidade das estrelas, todas elas so

De um metro e quarenta e cinco, so de cores

Verdes, azuis e alaranjadas, todos os seus cabelos

So loiros grisalhos.

Quando se fazem deslocar das suas habitaes

Construdas de vidro, rua, so sempre em grupos

De seis, sendo essa a lei que l rege

Desde o princpio do mundo.

Toda a mulher com estas caractersticas no restante

Universo jamais poder ser feliz em outros tipos

De civilizaes, j que os seus pensamentos e as suas

Imaginaes so antagnicas no mundo

Que as rodeiam.

Acabando por ficarem sem clulas, onde os seus

Corpos ficam estticos em quaisquer das ruas ou

Em quaisquer dos locais que se possam encontrar,

Acabando pelos seus corpos inertes virem a ser

Destroados pelo trfego.

O primeiro e nico transporte pblico da cidade

uma canoa construda de cana-de-acar e de papel

Floreado, tendo a mesma trinta mil metros

De comprido por vinte e oito mil metros de largura

Que s utilizada uma vez por ano,

Precisamente no dia cinco de Junho, dia de festa na

Cidade onde a canoa levanta vo com todas elas

Perante um vento por siimaginado.

Todas as mulheres da cidade so seres imortais j

Que so elas queconstroem todos os ingredientes

Da estrutura do ser humano, por isso, na mnima

Anomalia nos mesmos por elas sentidos, so

Instantaneamente substitudos.

O que no leva mais de oito segundos a sua

Substituio, sendo elas as detentoras da sabedoria

Indita em relao ao mundo exterior.

Na cidade das estrelas no existem foras

Militarizadas nem civis, j que as mulheres de l

Pensam e imaginam da mesma forma exacta, todo o

Poderio exterior est para l voltado,

Apelando sem cessar para que elas exportem todos

Os ingredientes do ser humano para as clnicas mais

Famosas de todo este universo,

Assim como os seus pensamentos e as suas

Imaginaes.

Mas elas sempre ignoraram e ignoram

As exportaes e importaes de espcie alguma,

Assim como o dinheiro.

H dias, caiu uma nave no interiorda cidade

Que transportava um milho e duzentos mil

Passageiros, todos eles anes, ficando todos

Destrudos, o que no demorou mais deseis minutos

Omesmo a levantar vo com toda a sua

Tripulao.

Quando um grupo delas decide sair rua, todos os

Outros se fazem caminhar, uns via terrestre,

Outros suspensos no ar, cruzando-se entre

As lindssimas noites que lhes do luzes a brilhar.



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É noite na Serra Escura | 04Fev2010 07:40:00

Os comboios ancorados, em seu redor, sinalizam

Com luminosidade intermitente o nmero exacto

De Produo diria dos seus habitantes.

Os pensamentos dos seus habitantes

Que se encontram intactos, no interior dos comboios, h

Mais de um sculo e meio, cumprindo assim

O termines das suas promessas sua santa padroeira.

Agora consigo ver a serra coberta de mantos de luz

- sua populao intacta e faminta a sarem dos

Seus comboios rua em grandiosa festa.

Milhares de foguetes estoiram no cho.

Agora a serra est a ser invadida por navios cheios

De borboletas cor-de-rosas.

Entretanto os seus habitantes aproximam-se de suas

Fogueiras, a danarem, aguardando com ansiedade

A chegada da sua santa padroeira terra, que se faz

Descer no cimo do seu cavalo.



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Era tudo muito lindo | 03Fev2010 07:40:00

Era tudo muito lindo:

Quando rajadas de amor penetravam nas linhas das

Mos dos homens,

Era tudo muito lindo:

Quando os homens sabiam pensar.

Era tudo muito lindo:

Quando os homens sabiam sentir.

Era tudo muito lindo:

Quando os homens eram despojados do egosmo.

Era tudo muito lindo:

Quando os homens eram despojados da ingratido.

Era tudo muito lindo:

Quando os homens habitavam casas transparentes.

Era tudo muito lindo:

Quando as casas se faziam deslocar.

Era tudo muito lindo:

Quando os homens construam armas de flores

Selvagens.

Era tudo muito lindo:

Quando os homens sabiam voar.

Era tudo muito lindo:

Quando os homens viviam sem leis.



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Cidade nocturna | 02Fev2010 07:40:00

Na cidade nocturna, as casas so as cavernas dos

Seus seis milhes e quinhentos mil habitantes.

No centro da cidade existe uma taberna giratria

Climatrica com oitocentos metros de altura

Que alimenta a sobrevivncia de toda a populao,

Sendo atractiva a imensos visitantes vindos

De outros planetas, que entram diariamente na cidade

Pela noite dentro num luxuoso comboio martimo.

Em sua recepo desfilam bailarinas carregadas

De mamilos que os colocam em cima das suas cabeas

Afim de no virem a ter problemas de perseguio

Com os polcias.

Na longnqua avenida que d acesso taberna, toda

Ela se encontra iluminada atravs de peixes

Abarrotados em gaiolas, que se deixam explodir

De grande alegria perante as multides constantes dos

Seus visitantes.

Na entrada da cidade encontra-se um gigantesco

Aqurio

Com uma monstruosa mosca no seu interior

A examinar o grau de sensibilidade a cada um dos

Seus visitantes



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Barcos negros | 01Fev2010 07:30:00

 

Levantaram-se barcos negros na cidade deserta.

Ao cair da noite os morcegos iluminam a cidade

Com suas cabeas onde se vem poderosas foras

Militarizadas de toupeiras,

Apetrechadas de arsenais blicos que percorrem

As ruas desertas.

Entretanto, olho a chegada de centenas de milhares

De aves peregrinas que transportam em suas bocas

Famintas aos habitantes da cidade desaparecidos.

Agora, olho amontoados insectos corpulentos

Que chegam espontaneamente a fim de saudarem a

Chegada da sua populao, com crianas em seus

Colos, sem membros superiores.

Entretanto, ao longe, consigo ver as casas a serem

Ocupadas silenciosamente pelos seus habitantes,

Entre meninos que se fazem mergulhar em corpos

Sequiosos de suas mes.

Agora,

Agora, estou a ser empurrado por foras superiores

Para o interior de um dos fragmentos do meu motor

Para melhor poder observar o cu coberto

De cadeiras rolantes que produzem uma imensa luz

Fazendo cair lquidos preciosos

Que fizeram a reconstruo dos ingredientes faltosos

Dos habitantes de toda a cidade.

 



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