+ Quadras Soltas | 17Ago2011 16:03:32

 

Vivo no mundo aflito

Por ele não me dar a mão

Em qualquer canto eu sinto

Um morteiro e um canhão.

 

Não sinto um palmo de terra

Pra eu poder semear

A fortuna que trago comigo

Para o mundo, transformar.

 

Ter amigos é ter ouro.

Por isso é muito bom

Porque só o zé povinho

É que vai para a prisão.

 

Vivo no meio duma mascarada

Por este país, sem fim

Não tenho prazer nenhum

Em viver num mundo assim.

 

Neste mundo esquesito

Tudo nasce e tudo morre

Eu pergunto se é por tudo isto

Que há ódio, e há fome.

 

Caminho na solidão

Com o silêncio a meu lado

A onde ele me diz

Que serei, poeta e desgraçado.

 

As linhas das mãos dos homens

Não sevem só pra trabalhar

Infelizmente ao fim de uma vida

Também servem pra mendigar.

 


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